quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Parar. Pensar. Reflectir. Tentar. Cair. Levantar. Acreditar. Cair. Respeitar. Lutar.

Os verdadeiros e poucos seguidores do meu blog devem ter reparado que já não escrevo há muito tempo. É um facto que curiosamente serve de incentivo para voltar a escrever: o facto de sentir falta de escrever no meu blog. Quem é que ainda não ouviu que a "vida dá muitas voltas"? A situação torna-se ainda mais interessante - não sei se é o adjectivo indicado, mas dá para se entender - quando a vida dá uma volta de 360º. As pessoas estudam, trabalham e aprendem com as suas funções diárias. A questão é que o ser humano é capaz de aprender mais num minuto do que em anos de estudo na escola, na universidade ou nos dois em conjunto. Ao longo da história os filósofos foram enveredando por caminhos diferentes: a dimensão teórica e a dimensão prática, empírica. Não tenciono ser filósofo mas a verdade é que me enquadro na vertente empírica sustentada por uma base moral em constante desenvolvimento.

Enquanto criança e até atingir aproximadamente os meus 15/16 anos muitos me consideravam uma pessoa problemática, com uma personalidade difícil que por vezes se tornava agressivo. Hoje em dia contam-se pelos dedos das mãos as pessoas que mantém a sua opinião acerca de mim. Admito que tomei atitudes erradas, que fui incorrecto, mas hoje olho para trás e não consigo imaginar que a minha vida seria como é hoje se não tivesse vivido, repito vivido as experiências passadas. A formação de carácter exige que se conheçam ambientes distintos para se ter um leque de opções por onde escolher, por onde avaliar, por onde definir o nosso caminho, o nosso futuro. Não quero, nem penso que tenha atingido um estado utópico de satisfação que já não há nada que possa aprender. Aliás, analisando toda a vida que tenho pela frente, ainda tenho muito que conhecer e aprender. A verdade é que já defini a forma como quero crescer, aprender e o que pretendo atingir. Antes de tudo, temos de ter consciência que apesar de ser extremamente importante na personalidade o orgulho deve e tem de ser colocado de parte em alguns momentos da nossa vida. Pode parecer impossível mas com treino e sacrifício torna-se uma realidade. Falo por experiência própria..

Imagino que não estejam a compreender onde pretendo chegar. Todos temos momentos em que perdemos o fio condutor da nossa vida, o norte, o GPS dos nossos objectivos, mas não nos podemos esquecer de um aspecto importante: a reflexão. Temos de parar para pensar sempre que sentimos estar a perder o controlo da situação. Durante a reflexão temos de pensar com todos os argumentos que temos e pedir ajuda aos nossos verdadeiros, repito verdadeiros amigos sem nunca nos limitarmos àqueles que sempre consultámos, o nosso círculo mais estreito de amigos. Quantas maior o número de opiniões, melhor. A dificuldade passa por enquadrar os argumentos dos outros na nossa filosofia, na reflexão pessoal que fazemos inicialmente. Neste ponto, é imprescindível assumir uma postura defensiva porque há sempre pessoas que parecem querer ajudar, quando o seu objectivo é na realidade prejudicar em benefício de outra(s) pessoa(s). Não subestimem este perigo, por vezes pode tornar-se comprometedor ou mesmo decisivo. Depois deste passo temos de chegar a uma decisão que muitas vezes é dolorosa. Para se chegar à decisão é imprescíndivel acreditar no desfecho, em alcançar o objectivo pretendido. Tem de ser uma decisão racional, não puramente emocional. Se vemos a oportunidade, se acreditamos em nós e se pensámos que vale o nosso esforço então a confiança é total e não temos outro caminho a seguir. Se falta algum destes "ingredientes" devemos repensar toda a nossa "estratégia" e enquadrá-la com a nossa realidade e com a realidade que nos rodeia. A decisão tem de ter em conta que a luta pode significar muitos momentos de queda em que levantar se torna muito complicado. Força de vontade, "amor à causa", esperança, perseverança, racionalidade... Vamos em frente!

Acredito que nem todos estejam de acordo com a minha "teoria" mas a verdade é que vinte anos depois do meu nascimento, tudo o que aprendi resulta neste ponto de vista. Não rejeito a possibilidade de que possa evoluir o modelo, mas neste momento acredito na solidez e resultados que consegui obter. Até hoje...

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Centenário da República

Viva à República! Viva Portugal! Viva os nossos governantes! Tempo de crise?! Só se for pelo mau tempo de sábado... 10 milhões de euros para festejar o centenário da República já! Vamos todos publicar uma fotografia de José Sócrates e Jorge Sampaio no perfil do Facebook... Não há dinheiro para comer? Comemos amanhã mas hoje a República faz 100 anos! VIVA!

Ironia de parte, este tipo de atitudes reflectem precisamente a mentalidade da maioria dos portugueses. Pensar no presente, não no futuro. Viver com o que não se tem. Ilusão. Na semana passada vemos o nosso primeiro-ministro a adoptar medidas drásticas de austeridade. Crise, crise, crise. Aumento de impostos. Redução de salários. Hoje gastamos parte do orçamento de forma, no mínimo estranha.

A situação pode ser avaliada de diferentes pontos de vista. A República é um forte pretexto para se festejar, sem dúvida, mas não será a necessidade de sobreviver um pretexto muito mais forte do que um dia de celebração? Prioridades. Hoje festeja-se o centenário da República, mas como vivemos uma fase (duradoura) extremamente conturbada, porque não festejar sem custos, ou com custos extremamente reduzidos?

10 milhões de euros para festejar o centenário da República quando o país se arrisca a entrar em recessão? Não sei se mais alguém concorda comigo mas será que os nossos governantes gostam de desafios, de correr riscos, ou de brincar com o dinheiro e a paciência dos contribuintes?

domingo, 3 de outubro de 2010

U2 360º

Coimbra, 2 de Outubro de 2010. Estádio Cidade de Coimbra. Bancadas e Relvado sem espaços livres - primeira vez desde a sua existência. Palco monstruoso, imponente, assustador. Ruído ensurdecedor, horas de espera, em pé. Fanatismo. Expectativa. Concretização de um sonho. Dia e noite únicos. O verdadeiro espectáculo.

Sempre tive o sonho de assistir a um concerto dos U2. Desde os 5 anos que fui aprendendo algumas letras, ainda que no início apenas se tratassem de tentativas frustadas de cantar em "portinglês". "Uitówitóutxiu" como versão portuguesa do clássico "With or Without You". Não me arrependo de não ter ido a Alvalade em 2005. Não tenho dúvidas que a Tour 360º consegue superar todos os espectáculos anteriores em Portugal. Som, Imagem, Atitude em Palco, Mensagem, Causas, Amizade. Tudo em letras maiúsculas precisamente por considerar que estes atributos fazem parte dos U2 e de mais ninguém. Os Interpol "introduziram" a potência das centenas de colunas montadas no recinto. Música agradável, bons profissionais, talento e futuro promissor. U2. A Imagem é o Bono. Intrinsecamente ligado à História da Música, à Solidariedade, à Atitude. Um exemplo. A causa ONE, fundada pelo vocalista cresce exponencialmente, salva-vidas, melhora a qualidade de vida de países em dificuldades, transmite esperança. A música dos U2 torna-se especial precisamente por uma questão de Atitude, a força da sua Mensagem. Walk On transmite motivação para não se desistir da vida, da luta. One obriga a que todos nós sejamos um só na ajuda humanitária, no combate à "extreme poverty". Mais uma vez, não escrevi pobreza extrema porque a Mensagem "Fight Extreme Poverty" pode ser entendida por muitas mais pessoas, povos, culturas, governantes. A música dos U2 faz-me pensar. Por vezes, penso que o meu caminho é a reviravolta. Sair da faculdade e percorrer o Mundo, ajudando todos os que precisam. Compreendo quem considera a minha análise exagerada, mas para um fã que desde sempre acompanhou os U2, que sabe (quase) todas as letras das músicas, não tenho dúvidas que me apoiam e uma parte concorda, revê-se na minha opinião. Perguntam-me: "Como foi o Concerto?". Respondo: "Não tenho palavras para descrever exactamente o que senti/foi, mas o que se costuma dizer quando se gosta muito de um espectáculo é que foi espectacular". Na realidade foi muito mais do que isso. Para mim, Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen Jr. são as únicas pessoas no Mundo que conseguem ser "Diplomatas Musicais". Não utilizam palavras difíceis. Não precisam de almoços e jantares de luxo ou conferências de imprensa vestidos de fato para dizerem o que sentem. Simplesmente cantam! De facto, cantar é a melhor forma de transmitir sentimentos. A música tem esse poder! Voltem rápido antes que eu vá ter convosco a algum lado. Tal como a música do novo álbum, o concerto foi simplesmente um "Moment of Surrender".

Continuem, parabéns, obrigado e até já!

Neste link podem aderir gratuitamente à Causa "ONE". Um minuto é suficiente!

One International

Um bom exemplo:

domingo, 26 de setembro de 2010

Séries Televisivas

Como grande apreciador de séries - embora não tenha muito tempo para conhecer todas as que queria - fiquei bastante desiludido com a evolução e final de Lost. Geralmente, as séries tendem a perder qualidade após o final da segunda série. O início tem de ser obrigatoriamente atraente, viciante de forma a "angariar/agarrar" o espectador. A segunda fase passa por criar um primeiro mistério que culmina com um final de primeira série  surpreendente ou mesmo frustrante, uma desilusão. Prison Break tem um início relativamente calmo ao contrário de Lost que começa com um acidente de aviação. Prison Break mantém o realismo "forçado", enquanto que Lost explora um mundo desconhecido com alguns fenómenos sobrenaturais. As histórias de fundo propriamente ditas são diferentes. A grande dificuldade passa por fugir ao inevitável, aquilo a que chamo "estrutura das séries". O empolgante início vai "crescendo exponencialmente" até que no final do primeiro momento chave, os realizadores introduzem um novo mistério que terá igualmente um desfecho imprevisível. Uma vez repetido este ciclo, a série torna-se repetitiva: as personagens, os locais, as vozes. Não quero com isto dizer que é fácil criar uma série. Na minha opinião é mais fácil construir um bom filme do que uma série televisiva. Tal como uma empresa não consegue sobreviver sem inovação, as séries não sobrevivem sem imaginação, ou melhor dizendo, "nova imaginação". Prison Break atinge um ponto em que se torna repetitivo - ciclo: prisão-fuga. O mesmo acontece com Lost: ciclo ilha-cidade.

Até que descobri Dexter. A primeira série começa sem qualquer emoção, um encontro com a vida de Dexter Morgan. O fim da primeira série é absolutamente arrebatador e faz-nos pensar que não é possível que as séries seguintes se tornem ainda melhores. O facto é que isso acontece, através de uma construção de génio. Quando tudo parece resolvido, quando pensamos que já nada há a descobrir, a história sofre uma reviravolta e deixa-nos de boca aberta... Neste momento, estou a ver os primeiros episódios da terceira série e já pouco ou nada tento prever do que poderá acontecer.

Para quem gosta de mistério até ao último segundo, acção, romance, classe e profissionalismo, aconselho-vos a conhecer Dexter Morgan. 

Resumindo: Everyone has something to hide!




domingo, 19 de setembro de 2010

A pobreza existe porque o Mundo quer

O número de pessoas que conhece a vila de Rabo de Peixe nos Açores é muito reduzido. O número de pessoas que interioriza a razão da existência da pobreza no Mundo é ainda menor. O número de pessoas que já se deparou com as crianças de Rabo de Peixe e conheceu o verdadeiro significado de felicidade conta-se pelos dedos das mãos. 
Aprendi muito, conheci muito, dei valor a tudo e a todos. As duas semanas que passei nos Açores a colaborar na Colónia de Férias do Projecto Rabo de Peixe foram inesquecíveis, não por terem sido férias, mas por me ter sentido verdadeiramente útil, por ter partilhado a minha felicidade com quem mais precisa - as crianças.
Em Rabo de Peixe a realidade é dura, mas a felicidade, simplicidade e alegria das crianças faz-me acreditar. Por outro lado, a palavra "TGV" ou "SCUTS" fazem-me pensar que o meu país é um circo e perder a esperança. Não faz pensar, é mesmo um circo. A crise é muito dura. Mas então vamos construir linhas que nos permitam chegar a uma aldeia e depois...... ficar lá sem saber o que fazer. Isto porque os nossos vizinhos espanhóis - um pouco mais inteligentes - percebem que este tipo de investimento é errado, não é nenhuma prioridade. José Mourinho, Cristiano Ronaldo, Porto, Benfica, Sporting, Carlos Queiroz, Casa Pia. "Rabo de Peixe? Nunca ouvi falar, nunca vi na televisão, nem no jornal". O Mundo é hipócrita, "faz de conta".
A pobreza existe porque o Mundo quer. O Mundo a que me refiro não somos nós individualmente, mas sim como "grande família" que tem de saber e sobretudo querer viver com todos os seus membros, ajudá-los e apoiá-los incondicionalmente. A crise, da qual tanto se fala, refere-se a "não haver dinheiro para comprar grandes carros, grandes casas". Para mim, tudo não passa de uma crise de valores, a crise das prioridades, de saber viver com e para os outros. Continua a haver dinheiro para impedir que qualquer, repito qualquer pessoa, independentemente da nacionalidade, raça e sexo desapareça do Mundo por não ter nada para comer e/ou beber.


Espero não perder a esperança, mas não é nada fácil. Dá que pensar...

Rabo de Peixe, Açores


sábado, 18 de setembro de 2010

O desporto único... Futebol Português

Senso comum: Temos de apoiar as equipas de futebol portuguesas nas competições europeias!
Não, quero que todas as equipas portugueses, da Federação Portuguesa de Futebol e Liga percam, todas. O futebol em Portugal é uma brincadeira, uma ditadura. Quem ganha os jogos, campeonatos, taças... É tudo decidido previamente e só quem não quer é que não vê. Em Portugal, se um clube incomodar a (a)normalidade desportiva portuguesa é simplesmente afastado. Mesmo que o tribunal dê razão ao clube, dirigentes e processos em questão. Não há justiça. Há quereres, necessidades e acontece o que for conveniente.... Foi o que aconteceu com o GRANDE Boavista. Foi campeão (com mérito, não discuto), Champions, meias-finais da UEFA porque jogou melhor que as outras equipas DENTRO de campo. Como estava a incomodar Porto, Benfica e Sporting decidiram colocar-nos na 2ª Divisão. Lembrem-se que o Boavista está nas divisões inferiores por vontade da Liga, não porque perdeu, por sofrer golos. Ficamos perto da UEFA no último campeonato em que estivemos na 1ª Liga. Já é tempo dos portugueses abrirem os olhos, de não se deixarem enganar. O futebol português já aprendeu com o Boavista. Daí a razão do Braga não ser mais do que é hoje, nunca vai ganhar nada. Não só porque não tem a cultura a nível da massa associativa que teve o Boavista, mas porque a Liga não vai deixar, o Porto, Benfica e Sporting não vão deixar... O futuro vai mostrar que tenho razão.

O nome de um blog

Demasiado grande. Pouco apelativo. Indisponível. Não gosto. Comecei há uma hora e nome para o blog nem vê-lo. Estou a perder a paciência. Finalmente encontrei, deixa-me "aplicar" antes que alguém na Austrália se lembre que "Showered and Blue-blazered" é um título, digamos, fora do vulgar, sem enquadramento. Já tive de criar alguns blogs mas este foi sem dúvida o mais difícil. Por onde começar? O google dá umas pistas: "apelativo, relacionado com os temas do blog, curto". Curioso... Showered and Blue-blazered não é nada curto e numa primeira análise não faz lembrar nenhum tema em concreto. Pode ser que alguém considere esta opção no mínimo "apelativa"...
A verdade é que a escolha deste nome tem uma história. The National. Mistaken for Strangers. Quem me conhece sabe que sou um grande admirador do estilo irreverente e invulgar das produções musicais de Matt Berninger, Aaron Dessner, Bryce Dessner, Bryan e Scott Devendorf. O blog já tem nome e vídeo, será um bom começo?