domingo, 26 de setembro de 2010

Séries Televisivas

Como grande apreciador de séries - embora não tenha muito tempo para conhecer todas as que queria - fiquei bastante desiludido com a evolução e final de Lost. Geralmente, as séries tendem a perder qualidade após o final da segunda série. O início tem de ser obrigatoriamente atraente, viciante de forma a "angariar/agarrar" o espectador. A segunda fase passa por criar um primeiro mistério que culmina com um final de primeira série  surpreendente ou mesmo frustrante, uma desilusão. Prison Break tem um início relativamente calmo ao contrário de Lost que começa com um acidente de aviação. Prison Break mantém o realismo "forçado", enquanto que Lost explora um mundo desconhecido com alguns fenómenos sobrenaturais. As histórias de fundo propriamente ditas são diferentes. A grande dificuldade passa por fugir ao inevitável, aquilo a que chamo "estrutura das séries". O empolgante início vai "crescendo exponencialmente" até que no final do primeiro momento chave, os realizadores introduzem um novo mistério que terá igualmente um desfecho imprevisível. Uma vez repetido este ciclo, a série torna-se repetitiva: as personagens, os locais, as vozes. Não quero com isto dizer que é fácil criar uma série. Na minha opinião é mais fácil construir um bom filme do que uma série televisiva. Tal como uma empresa não consegue sobreviver sem inovação, as séries não sobrevivem sem imaginação, ou melhor dizendo, "nova imaginação". Prison Break atinge um ponto em que se torna repetitivo - ciclo: prisão-fuga. O mesmo acontece com Lost: ciclo ilha-cidade.

Até que descobri Dexter. A primeira série começa sem qualquer emoção, um encontro com a vida de Dexter Morgan. O fim da primeira série é absolutamente arrebatador e faz-nos pensar que não é possível que as séries seguintes se tornem ainda melhores. O facto é que isso acontece, através de uma construção de génio. Quando tudo parece resolvido, quando pensamos que já nada há a descobrir, a história sofre uma reviravolta e deixa-nos de boca aberta... Neste momento, estou a ver os primeiros episódios da terceira série e já pouco ou nada tento prever do que poderá acontecer.

Para quem gosta de mistério até ao último segundo, acção, romance, classe e profissionalismo, aconselho-vos a conhecer Dexter Morgan. 

Resumindo: Everyone has something to hide!




domingo, 19 de setembro de 2010

A pobreza existe porque o Mundo quer

O número de pessoas que conhece a vila de Rabo de Peixe nos Açores é muito reduzido. O número de pessoas que interioriza a razão da existência da pobreza no Mundo é ainda menor. O número de pessoas que já se deparou com as crianças de Rabo de Peixe e conheceu o verdadeiro significado de felicidade conta-se pelos dedos das mãos. 
Aprendi muito, conheci muito, dei valor a tudo e a todos. As duas semanas que passei nos Açores a colaborar na Colónia de Férias do Projecto Rabo de Peixe foram inesquecíveis, não por terem sido férias, mas por me ter sentido verdadeiramente útil, por ter partilhado a minha felicidade com quem mais precisa - as crianças.
Em Rabo de Peixe a realidade é dura, mas a felicidade, simplicidade e alegria das crianças faz-me acreditar. Por outro lado, a palavra "TGV" ou "SCUTS" fazem-me pensar que o meu país é um circo e perder a esperança. Não faz pensar, é mesmo um circo. A crise é muito dura. Mas então vamos construir linhas que nos permitam chegar a uma aldeia e depois...... ficar lá sem saber o que fazer. Isto porque os nossos vizinhos espanhóis - um pouco mais inteligentes - percebem que este tipo de investimento é errado, não é nenhuma prioridade. José Mourinho, Cristiano Ronaldo, Porto, Benfica, Sporting, Carlos Queiroz, Casa Pia. "Rabo de Peixe? Nunca ouvi falar, nunca vi na televisão, nem no jornal". O Mundo é hipócrita, "faz de conta".
A pobreza existe porque o Mundo quer. O Mundo a que me refiro não somos nós individualmente, mas sim como "grande família" que tem de saber e sobretudo querer viver com todos os seus membros, ajudá-los e apoiá-los incondicionalmente. A crise, da qual tanto se fala, refere-se a "não haver dinheiro para comprar grandes carros, grandes casas". Para mim, tudo não passa de uma crise de valores, a crise das prioridades, de saber viver com e para os outros. Continua a haver dinheiro para impedir que qualquer, repito qualquer pessoa, independentemente da nacionalidade, raça e sexo desapareça do Mundo por não ter nada para comer e/ou beber.


Espero não perder a esperança, mas não é nada fácil. Dá que pensar...

Rabo de Peixe, Açores


sábado, 18 de setembro de 2010

O desporto único... Futebol Português

Senso comum: Temos de apoiar as equipas de futebol portuguesas nas competições europeias!
Não, quero que todas as equipas portugueses, da Federação Portuguesa de Futebol e Liga percam, todas. O futebol em Portugal é uma brincadeira, uma ditadura. Quem ganha os jogos, campeonatos, taças... É tudo decidido previamente e só quem não quer é que não vê. Em Portugal, se um clube incomodar a (a)normalidade desportiva portuguesa é simplesmente afastado. Mesmo que o tribunal dê razão ao clube, dirigentes e processos em questão. Não há justiça. Há quereres, necessidades e acontece o que for conveniente.... Foi o que aconteceu com o GRANDE Boavista. Foi campeão (com mérito, não discuto), Champions, meias-finais da UEFA porque jogou melhor que as outras equipas DENTRO de campo. Como estava a incomodar Porto, Benfica e Sporting decidiram colocar-nos na 2ª Divisão. Lembrem-se que o Boavista está nas divisões inferiores por vontade da Liga, não porque perdeu, por sofrer golos. Ficamos perto da UEFA no último campeonato em que estivemos na 1ª Liga. Já é tempo dos portugueses abrirem os olhos, de não se deixarem enganar. O futebol português já aprendeu com o Boavista. Daí a razão do Braga não ser mais do que é hoje, nunca vai ganhar nada. Não só porque não tem a cultura a nível da massa associativa que teve o Boavista, mas porque a Liga não vai deixar, o Porto, Benfica e Sporting não vão deixar... O futuro vai mostrar que tenho razão.

O nome de um blog

Demasiado grande. Pouco apelativo. Indisponível. Não gosto. Comecei há uma hora e nome para o blog nem vê-lo. Estou a perder a paciência. Finalmente encontrei, deixa-me "aplicar" antes que alguém na Austrália se lembre que "Showered and Blue-blazered" é um título, digamos, fora do vulgar, sem enquadramento. Já tive de criar alguns blogs mas este foi sem dúvida o mais difícil. Por onde começar? O google dá umas pistas: "apelativo, relacionado com os temas do blog, curto". Curioso... Showered and Blue-blazered não é nada curto e numa primeira análise não faz lembrar nenhum tema em concreto. Pode ser que alguém considere esta opção no mínimo "apelativa"...
A verdade é que a escolha deste nome tem uma história. The National. Mistaken for Strangers. Quem me conhece sabe que sou um grande admirador do estilo irreverente e invulgar das produções musicais de Matt Berninger, Aaron Dessner, Bryce Dessner, Bryan e Scott Devendorf. O blog já tem nome e vídeo, será um bom começo?