terça-feira, 5 de outubro de 2010

Centenário da República

Viva à República! Viva Portugal! Viva os nossos governantes! Tempo de crise?! Só se for pelo mau tempo de sábado... 10 milhões de euros para festejar o centenário da República já! Vamos todos publicar uma fotografia de José Sócrates e Jorge Sampaio no perfil do Facebook... Não há dinheiro para comer? Comemos amanhã mas hoje a República faz 100 anos! VIVA!

Ironia de parte, este tipo de atitudes reflectem precisamente a mentalidade da maioria dos portugueses. Pensar no presente, não no futuro. Viver com o que não se tem. Ilusão. Na semana passada vemos o nosso primeiro-ministro a adoptar medidas drásticas de austeridade. Crise, crise, crise. Aumento de impostos. Redução de salários. Hoje gastamos parte do orçamento de forma, no mínimo estranha.

A situação pode ser avaliada de diferentes pontos de vista. A República é um forte pretexto para se festejar, sem dúvida, mas não será a necessidade de sobreviver um pretexto muito mais forte do que um dia de celebração? Prioridades. Hoje festeja-se o centenário da República, mas como vivemos uma fase (duradoura) extremamente conturbada, porque não festejar sem custos, ou com custos extremamente reduzidos?

10 milhões de euros para festejar o centenário da República quando o país se arrisca a entrar em recessão? Não sei se mais alguém concorda comigo mas será que os nossos governantes gostam de desafios, de correr riscos, ou de brincar com o dinheiro e a paciência dos contribuintes?

domingo, 3 de outubro de 2010

U2 360º

Coimbra, 2 de Outubro de 2010. Estádio Cidade de Coimbra. Bancadas e Relvado sem espaços livres - primeira vez desde a sua existência. Palco monstruoso, imponente, assustador. Ruído ensurdecedor, horas de espera, em pé. Fanatismo. Expectativa. Concretização de um sonho. Dia e noite únicos. O verdadeiro espectáculo.

Sempre tive o sonho de assistir a um concerto dos U2. Desde os 5 anos que fui aprendendo algumas letras, ainda que no início apenas se tratassem de tentativas frustadas de cantar em "portinglês". "Uitówitóutxiu" como versão portuguesa do clássico "With or Without You". Não me arrependo de não ter ido a Alvalade em 2005. Não tenho dúvidas que a Tour 360º consegue superar todos os espectáculos anteriores em Portugal. Som, Imagem, Atitude em Palco, Mensagem, Causas, Amizade. Tudo em letras maiúsculas precisamente por considerar que estes atributos fazem parte dos U2 e de mais ninguém. Os Interpol "introduziram" a potência das centenas de colunas montadas no recinto. Música agradável, bons profissionais, talento e futuro promissor. U2. A Imagem é o Bono. Intrinsecamente ligado à História da Música, à Solidariedade, à Atitude. Um exemplo. A causa ONE, fundada pelo vocalista cresce exponencialmente, salva-vidas, melhora a qualidade de vida de países em dificuldades, transmite esperança. A música dos U2 torna-se especial precisamente por uma questão de Atitude, a força da sua Mensagem. Walk On transmite motivação para não se desistir da vida, da luta. One obriga a que todos nós sejamos um só na ajuda humanitária, no combate à "extreme poverty". Mais uma vez, não escrevi pobreza extrema porque a Mensagem "Fight Extreme Poverty" pode ser entendida por muitas mais pessoas, povos, culturas, governantes. A música dos U2 faz-me pensar. Por vezes, penso que o meu caminho é a reviravolta. Sair da faculdade e percorrer o Mundo, ajudando todos os que precisam. Compreendo quem considera a minha análise exagerada, mas para um fã que desde sempre acompanhou os U2, que sabe (quase) todas as letras das músicas, não tenho dúvidas que me apoiam e uma parte concorda, revê-se na minha opinião. Perguntam-me: "Como foi o Concerto?". Respondo: "Não tenho palavras para descrever exactamente o que senti/foi, mas o que se costuma dizer quando se gosta muito de um espectáculo é que foi espectacular". Na realidade foi muito mais do que isso. Para mim, Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen Jr. são as únicas pessoas no Mundo que conseguem ser "Diplomatas Musicais". Não utilizam palavras difíceis. Não precisam de almoços e jantares de luxo ou conferências de imprensa vestidos de fato para dizerem o que sentem. Simplesmente cantam! De facto, cantar é a melhor forma de transmitir sentimentos. A música tem esse poder! Voltem rápido antes que eu vá ter convosco a algum lado. Tal como a música do novo álbum, o concerto foi simplesmente um "Moment of Surrender".

Continuem, parabéns, obrigado e até já!

Neste link podem aderir gratuitamente à Causa "ONE". Um minuto é suficiente!

One International

Um bom exemplo: